terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Journey: os quarenta anos de Look Into The Future



Que a lendária banda Journey é conhecida por suas músicas imortalizadas pelo tempo, ao exemplo de: ‘Don´t Stop Believin’, ‘Separate Ways’, ‘Faithfully’ entre outras é inquestionável, e tão pouco podemos desmerecê-las a grandeza de cada uma. Mas também não podemos deixar que a obscuridade do tempo apagasse o início dessa trajetória, onde o grupo americano ainda não contava com a sua força máxima e frontman, Steve Perry. A banda, hoje, conhecida por pertencer ao estilo Adult Oriented Rock (AOR), iniciou suas atividades como quarteto, são eles: Gregg Rolie (Vocal e teclados), Neal Schon (Guitarra), Ross Valory (Baixo) e Aynsley Dunbar (Bateria). E o primeiro filho autointitulado veio ao mundo no ano de 1975, com uma proposta de Space Rock e Progressivo. Mas eu aproveito o espaço para tecer alguns elogios ao álbum seguinte, lançado em 1976, batizado de ‘Look Into The Future, o qual completou no primeiro semestre (2016) o quadragésimo aniversário.

Look Into The Future é sem dúvida uma obra de valor inestimável, obrigatória para o conhecimento de qualquer um que se propõe a escutar o som da banda. O mesmo é uma dosagem perfeita entre o hard setentista e a música progressiva. Ele quebra um pouco a melancolia apresentada em seu antecessor e traz algo mais ousado e evolutivo. O disco é recheado de oito faixas que nos remete em alguns momentos a certas pitadas de jazz e a explosão do rock dos anos 1970. É impossível o ouvinte não vibrar com ‘On A Sartuday Nite’, faixa que abre o disco – ela é de uma classe, traz a força do hard rock praticado na época, Gregg está em uma de suas melhores performances. E a animada ‘Its All Too Much’? A faixa que te passa a certeza de ter escolhido um ótimo álbum, e que consequentemente te deixa na curiosidade para descobrir o que está por vir. Nela escutamos um hard rock mais fino, com direito a todos os elementos explorados que o estilo tem a oferecer.

Na sequência o trabalho da uma pausa na intensidade e parte para a balada ‘Anyway’, aqui nós temos uma sensação de paz, mesmo com algumas linhas de guitarra mais densa provocadas por Neal, nada que tire seus momentos reflexivos. Podemos destacar, também, a faixa-título, Gregg está inspirado, com uma voz intensa, e que passa uma aproximação muito forte com a letra, é como se um ator se identificasse perfeitamente com o seu personagem, só que neste caso com a música. E para fechar com chave de ouro temos duas canções muito bem construídas, exatamente onde você perceberá a influência de música progressiva e jazz. O momento mais jazzista fica para ‘Midnigth Dreamer’, principalmente em algumas partes da bateria de Aynsley Dunbar. Já em ‘I’m Gonna Leave You’, temos o excêntrico, a psicodelia, a complexidade, o que pode resultar em uma criação bem progressiva. Não posso descrever mais nada, apenas escute-a.

Se você não conhece a carreira da banda Journey, de forma profunda, com certeza terá algum tipo de susto, pois, ‘Look Into The Future’ não é, nenhum pouco, a música praticada de hoje. De certo ponto de vista, podemos considerá-lo – ao lado do primeiro e terceiro trabalho, ‘Next’ (1977) – o lado ‘B’, a parte obscura da banda. Natural, já que estamos falando de outra formação, considerada mais hard, se comparado com o rock mais “redondinho” praticado nas composições da formação com S. Perry. Tenha certeza que ‘Departure’ (1980), ‘Escape’ (1981), ‘Frontiers’ (1982) – até mesmo, o injustiçado por conta de uma péssima promoção, ‘Trial By Fire’ (1996) –, são obras prima, o qual  resultado trouxe uma identidade para a banda. Porém, desmerecer a fase inicial é de um erro sem fim. 



terça-feira, 29 de novembro de 2016

Metallica: o "mi mi mi" desnecessário





Quando começa o maior “mi mi mi” do cenário heavy metal? Basta o Metallica lançar um novo álbum. Dito e feito assim que ‘Hardwired... To Self Destruct’, mais novo lançamento da banda americana, chegou aos ouvidos dos fãs. Acho que o Metallica é alvo de críticas desde o lançamento de ‘Black Album (1991), uma de suas criações de maior sucesso comercial. Mas o ouvinte pode perceber o início de novas experiências já em ‘... And Justice For All’ (1988), um material conceitual, com músicas longas e complexas (permita-me dizer que uma das piores mixagens da banda está em ‘... And Justice...’, talvez tal motivo seja um dos que me faz não ter nenhum tipo de apreço pelo o mesmo). E foi em B.A que a banda assumiu de vez que nunca mais seria a mesma de ‘Kill ‘Em All’ (1983), ‘Ride The Ligthning(1985) e ‘Master Of Puppets(1986). Ou seja, faz mais de vinte e cinco anos que eles anunciaram a morte do Metallica “Thrash Metal”, e até hoje muitos fãs ficam na bronca com o quarteto.

Não é novidade para alguns amigos mais próximos, mas a verdade é que em relação à banda, sou completamente ortodoxo, somente até ao ‘Master Of Puppets’ eu consigo ouvir na íntegra – e mesmo assim não mantenho nenhum tipo de marra por eles não lançarem mais discos do meu gosto. Como eu disse antes, desde ‘Black Album’ que eles se reinventam a cada obra, a sua discografia tem uma construção muito bem diversificada e elaborada – com exceção de ‘St. Anger’ (2003), seja lá o que o baterista Lars Ulrich tentou criar de novo, não deu certo, o som da bateria é horrível (o que não é nenhuma novidade), sem contar a péssima inspiração dos músicos. 

Antes do lançamento de ‘St. Anger’, os fãs mais fervorosos pegavam para cristo os discos ‘
Load’ (1996) e ‘Reload’ (1997). Hoje já vejo uma grande parcela confessar que há coisas legais em ‘Load’, outros assumiram completamente que o mesmo é um grande álbum, ok. Eu vou um pouco mais além: será mesmo se ‘Reload’ é totalmente de se jogar fora? “Fuel” não é uma música que carrega o selo de qualidade? Será mesmo que entendemos a proposta de “The Memory Remains”?

‘Hardwired... To Self Destruct’ também não foi poupado de críticas. Particularmente acho que eles tentaram seguir a linha de ‘Death Magnetic’, apresentando um pouco da pegada que há em seu antecessor, que é um breve resumo da carreira, principalmente do início dos anos 1990. E, esqueça, Lars a cada dia que passa demostra que nunca mais será o mesmo baterista de antigamente, parece ser intencional sua forma de tocar. O que me espantou um pouco foi a “preguicinha” do guitarrista Kirk Hammett, mas enfim, nada que elimine a ideia de um álbum bem projetado, e mais uma vez, eles estão respeitando a época. 

Nas palavras de um fã: sim, eu queria um Metallica com uma bateria mais agressiva, que capitasse a ambiência de estúdio, aquela bateria com eco, gostaria de guitarras rápidas e solos que beirasse o velho trhash metal da bay-area, que a voz de James Hetifield soasse um pouco mais “suja”, mais intensa. Porém, eu não tenho mais esse direito, seria de um egoísmo desnecessário de minha parte esperar que uma banda retroceda de forma drástica. Mesmo não sendo um fã assíduo, eu entendo a importância que eles têm em um contexto geral. A verdade é que eles conseguem movimentar um mercado quase apagado, ainda é a banda que mais lota estádios. Querendo ou não, ainda é um dos raros grupo que faz um serviço em prol do Metal. Há muito tempo estou conformado, estou feliz com os três primeiros clássicos. Eu sei que pode soar estranho um ouvinte de apenas três álbuns advogar uma carreira completa, o fato é que precisamos ser justos, a imparcialidade deve prevalecer.


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O Dono do Jogo


Às vezes o ser na busca pela autossuperação pode tornar-se refém do próprio ego e loucura, é com esta reflexão que defino o filme ‘O Dono do Jogo’ – obra que resume o sucesso e decadência de Bobby Fischer , um dos maiores competidores do jogo mais estratégico já criado: o xadrez. O longa, lançado oficialmente em meados de abril/maio(2016), foi dirigido por Edward Zwick (O Último Samurai, Diamente de Sanguee conta com as atuações (principais) dos atores Tobey Maguire (Bobby Fischer) e Live Schreiber, aqui ele interpreta o papel de outra lenda da modalidade, Boris Spassky –  a figura de Spassky dispensa comentários. O Dono do Jogo não é o filme mais genial do ano, porém, vale a atenção do espectador. Em pouco mais de uma hora e meia temos a narração da vida de um gênio, perfeccionista e frustrado competidor.

Bobby F. entrou para a história do Xadrez mundial por conta de seu dom para com o jogo, descoberto ainda na infância. Sempre demonstrava habilidades incomum para uma criança da sua idade, e tais talentos fizeram dele um dos maiores competidores e vencedores de campeonatos e torneios mundiais. Porém, Bobby paga um alto preço pelo sucesso com suaves prestações. O ser humano está propício a contrair diversos tipos de doenças, e, algumas delas, podem ganhar forças quando deixamos alguns hábitos nada saudáveis tomarem de conta da gente, por exemplo: a schizophrenia. E foi justamente o descontrole e mania de perseguição que atrapalhou a carreira de uma das figuras centrais do xadrez mundial.

A trama dá uma geral, de forma resumida, na carreira de Bobby, tendo como foco a disputa acirrada com o russo Spassky e o confronto com seus próprios demônios. Aos poucos Bobby F. encontra dentro de si uma espécie de sabotagem, onde já não tem mais o domínio da própria mente. O sucesso, popularidade e prepotência são elementos básicos para que ele tenha certa facilidade de contrair uma doença degenerativa, e tais enfermidades o atacam justamente quando está próximo a conquistar o topo. Talvez se as pessoas próximas a Fischer tivessem diagnosticado a sua deficiência logo no início, ele teria mais chances de lidar e enfrentar o problema com forças, mas poucos perceberam que suas exigências na verdade era uma anormalidade, tanto que a ajuda só veio em um estágio já muito avançado da doença, o que dificultou a sua recuperação.

Bobby talvez seja a síntese da prepotência, genialidade e ambição de vencer, de ser sempre o primeiro. Só que ele só não esperava que a junção de todos estes “adjetivos” resultasse em um homem condenado a insalubridade. A intensidade de Bobby faz com que ele tenha hábitos nada comuns, tudo isso por conta de uma falsa perseguição. Ele insiste que é vigiado e perseguido, e tal complexidade o faz tomar atitudes inesperadas. Em seus atos mais extremos, quem está próximo começa a perceber que tem alguma coisa errada com ele. Com o passar do tempo percebemos as dificuldades que um dos maiores enxadrista tem que enfrentar, principalmente em períodos de importantes competições, como é o caso da partida contra Spassky.

E justamente a mistura do excêntrico, o mau humor e arrogância caiu como uma luva para T. Maguire – conhecido mundialmente por interpretar Pitter Park, o Homem Aranha. Como eu disse antes, Maguire ganha um personagem totalmente ao contrário do que habitualmente vinha interpretando. Aqui ele é mais sério, complexo e amadurecido, características que só engrandecem o seu trabalho.

A direção merece algumas palmas, pois, ela conseguiu expressar a alta sensibilidade que Fischer tem em relação a ruídos e desconfortos, talvez isso possa ser encarado como um transtorno ou apenas a extrema necessidade de silêncio e conforto, fica a seu critério. A verdade é que tais obsessões acarretaram para uma debilitada saúde mental.

A produção de Zwick relata o início, o meio e a decadência de uma mente genial. O Dono do Jogo não é o primeiro e nem o último filme a abordar este tipo de drama. ‘Uma Mente Brilhante’(2001) com Russel Crowe também retrata algo semelhante à vida de Fischer. O trabalho de Zwick é despretensioso e reflexivo. Por meio de uma biografia temos a retratação da ambição do homem pelo melhor lugar no pódio, e as consequências de uma doença covarde.



sexta-feira, 29 de julho de 2016

Entrevista: Pedro Humangous Salim

Pedro Humangous Salim é publicitário e fiel ouvinte de heavy metal, mais precisamente da nova safra. Recentemente entrou para uma das maiores equipes de fornecimento de música via streaming, sim, estamos falando do Spotfy. Ele também é uma figura que de uma forma ou de outra apoia o cenário metal do Brasil: é o criador da revista eletrônica Hell Divine, e foi colaborador de uma das maiores publicações impressa de música pesada do Brasil, a veterana Roadie Crew. Em nosso bate-papo Pedro fala de seu mais novo emprego, explica a pausa de sua revista. Quando questionado sobre o nosso precário cenário, ele aproveita e solta sem meias palavras a falta de profissionalismo que ainda existe dentro do underground brasileiro. 

Pedro, vamos começar pelo o seu mais novo emprego. Qual é a sua função no Spotify?
Pedro Salim: Trabalhar com o que gosta é uma satisfação enorme! Fui contratado como executivo de vendas do Spotify em Brasília. Todas as empresas, da capital federal, que tenham interesse em fazer publicidade dentro da maior plataforma de música do mundo, precisam negociar comigo. Presto atendimento e assessoria às agências de publicidade para, juntos, acharmos as melhores soluções publicitárias para as campanhas.

Aos poucos o Spotify vem se tornando uma importante plataforma para consumir música. Você acredita que a mesma é um dos meios mais rentáveis tanto para o músico quanto o consumidor final. Ou seja, ninguém perde...
Pedro: O Spotify já é a maior plataforma para consumo de música via streaming. Está à frente do Deezer e Soundcloud, principais concorrentes. No mundo, já temos 100 milhões de usuários ativos. No Brasil, estamos próximos dos 10 milhões e esse número não para de crescer. Acredito que esse modelo de consumo de música seja o melhor para todas as partes envolvidas, todos saem ganhando no final. O usuário tem acesso a tudo, a qualquer momento e em qualquer lugar, pagando muito pouco por isso. Os músicos ganham destaque e podem levar sua música para mais pessoas, sendo remunerados por isso também, direta ou indiretamente.

Caso a nova lei que limita o fornecimento de dados para o consumo de internet entra em vigor, isso causaria uma reviravolta na vida de muitas empresas e até mesmo do cidadão comum. Empresas como é o caso do Spotify teria alguma desvantagem com essa nova lei?
Pedro: Limitar o acesso das pessoas nunca será uma coisa boa. O que penso que irá acontecer é o usuário pagar mais caro pra usar mais a internet. E isso pode sim afetar o comportamento das pessoas na internet, diminuindo o consumo no geral. Ainda é cedo pra dizer, precisamos aguardar mais pra entender se isso irá realmente acontecer e, se acontecer, esperar para analisar as opções e preços oferecidos pelas operadoras. De qualquer forma, pode sim afetar empresas de streaming, como é o caso de Netflix e Spotify por exemplo.

Ainda dentro do contexto música digital, hoje nós temos o Deezer e Spotify como uma das principais fornecedoras (de forma legal) de música via streaming. Quais as vantagens que você enxerga dessas novas plataformas para o CD físico?
Pedro: As vantagens são todas. Você paga pouco e tem muito. O acesso é ilimitado e vasto. Não há mais a necessidade de comprar nada, armazenar arquivos, se preocupar com vírus ou a baixa qualidade de áudio. Acredito que esse seja o novo modelo de comercialização e consumo de música do futuro.

O consumo (música e vídeos) digital é uma faca de dois gumes, por um lado ela beneficia o fã, pois torna-se mais fácil ter o material do artista, só que para o artista nem tanto, pois ele tem a sua criação facilmente clonada, ou seja, fica difícil controlar ou ter algum retorno financeiro. Como você ver essa questão?
Pedro: Muito já foi discutido sobre essa questão. Sem a internet, a maioria das bandas jamais seria ouvida. Um dos principais intuitos das bandas é ser ouvida e reconhecida. O retorno financeiro vem depois, através de shows, venda de merchandising e, por fim, a música propriamente dita. É triste, mas, nos dias atuais, é a realidade. A internet é uma vitrine, você precisa primeiro engajar seu público, conquistá-lo. Se toda a estratégia for bem-feita, certamente haverá uma legião de fiéis seguidores. Aí sim é hora de buscar o retorno financeiro.

Você era um consumidor assíduo do material físico (CD e DVD), como tem se adaptado aos novos formatos, ou ainda faz aquele sacrifício para adquirir o produto físico?
Pedro: Não só era como ainda sou. Colecionador de produto físico hoje em dia sofre. Não é por que existem novas ferramentas para consumir música que deixei de adquirir meus discos. O disco físico é mais um fetiche, compra pra ter na prateleira, na coleção. Mas no dia a dia, no carro, trabalho, etc, usamos mesmo as formas digitais. É triste ver as lojas com cada vez menos produtos, até mesmo as especializadas estão fechando as portas. Ainda existe um público fiel para o material físico e, basicamente, se alimenta das compras online. 

A revista digital Hell Divine prometia ganhar o seu espaço no cenário, só que após lançar algumas edições você anunciou o fim. Quais as dificuldades que você encontrou para manter a mesma? 
Pedro: Eu verdadeiramente acredito que ganhamos sim muito espaço no cenário. Em apenas 5 anos de trabalho saímos do nada para sermos uma das maiores e mais reconhecidas publicações digitais do país. Foram 24 edições, todas feitas com carinho e muito suor. Não era fácil administrar uma equipe de 12 pessoas, com uma enxurrada de bandas querendo atenção e espaço na nossa revista. Na verdade, a revista não morreu, apenas demos uma pausa – sem data para retorno. Não encontramos dificuldades, nem desanimamos. Apenas achamos que era hora de parar por um tempo. As edições estavam tendo bastante acesso, na casa das 20.000 leituras. As páginas oficiais no Facebook e Twitter continuam crescendo diariamente. Eu continuo tocando o blog sozinho, publicando algumas notícias mais relevantes, matérias e principalmente resenhas. Vamos ver o que o futuro nos reserva.

Eu sou o tipo de pessoa que tem uma dificuldade enorme para leitura a longo prazo em frente ao smartphone, tablet ou notebook. Compensa dedicar horas escrevendo para ter um feedback muito curto?
Pedro: É, confesso que não é a melhor coisa do mundo ler uma revista na tela do computador ou celular. Mas é mais prático, você leva pra onde for, dentro do seu bolso. Se compensa dedicar horas? Dedicamos 5 anos nisso e te digo, vale cada segundo! Sempre fizemos por prazer, sem interesses financeiros. Dava orgulho ver a banda feliz com a ajuda que dávamos divulgando seus trabalhos. Sentimos que fazíamos parte dessa grande engrenagem que é o Heavy Metal no Brasil. O feedback não era curto, era enorme! Muita gente mandava email elogiando, agradecendo e pedindo matérias. Tinha apoio das assessorias de imprensa, das bandas e dos fãs. O retorno era muito bom!

A pergunta que não quer calar: Por que o mercado para o metal aqui no Brasil ainda é encarado como amador?
Pedro: A pergunta de 1 milhão de dólares (risos)? São tantos fatores que não caberiam aqui, teríamos que ir pra uma mesa de bar e discutir por horas. Mas basicamente a resposta está na sua pergunta: amadorismo. As próprias bandas, genericamente falando, não se importam com sua imagem, não se preocupam em ter um logotipo e arte de capa bem feitos, falta postura adequada nas redes sociais e nos shows ao vivo, as assessorias de imprensa muitas vezes amadoras (mal sabem escrever), os produtores que nunca fizeram eventos se metendo a montar grandes shows, as casas de shows péssimas, os lojistas que não entendem seu público e também cobram muito caro por tudo, e por fim o público que não comparece, não compartilha e não se mexe pra fazer nada de bom para esse mercado. Tá todo mundo muito passivo, muito “cada um por si”. 

Para finalizar, cinco bandas nacionais que não saem da sua playlist:
Pedro: Essa lista está em constante mudança, mas atualmente são:
In No Sense
Woslom
John Wayne
Optical Faze
Age Of Artemis


terça-feira, 26 de julho de 2016

Filme: The Eichmann Show


Houve uma época em que o meu interesse pelo tema '2º Guerra Mundial' era mais profundo do que é hoje, o tempo foi passando e o fascínio aos poucos ficou para trás, até que resolvi deixar de lado a Alemanha e o seu nazismo. O registro 'A Queda: Os Últimos Dias de Hitler', do diretor alemão Oliver Hirschbiegel - muito bom, diga-se de passagem -, foi o último material relacionado ao assunto que o ser que vos escreve teve o acesso. Claro, isso foi antes de conhecer 'The Eichmann Show', filme do diretor Paul Andrew Williams, lançado no início de 2015. Confesso que o trabalho de Paul aguçou novamente o meu entusiasmo pelo conteúdo. 

The Eichmann Show retrata o julgamento do general Otto Adolf Eichmann (Um dos braços direito de Hitler) - ele foi responsável não só por opinar e autorizar o holocausto como estudou toda a logística de transporte dos judeus para os guetos e campos de extermínio. O mais importante em documentar tal fato por meio de um longa, é que outros personagens da Schutzstaffel (SS) ganham notoriedade e autoria em muitas atrocidades, e assim podemos esclarecer melhor os fatos sobre o período. Claro que existem documentos que relatam de forma detalhada as responsabilidades, mas, nada como uma mídia desse porte para ajudar a expandir um dos capítulos mais animalesco da nossa história.

O filme de origem inglesa e irlandesa (Irlanda do Norte) tem em seu elenco principal os atores Anthony  Lapaglia (Leo Huwitrz.), Marin Freeman (Milton Frouchman.), Andy Nyman (David Landor) e Anna Louise Plowman (Jane Hurwitz). E por mais que a figura de Adolf Eichmann seja o elemento central, não é o ator (Zora Bishop) que o interpreta, o grande destaque da obra, muito pelo contrário, Zora tem rápidas passagens, a figura do próprio Eichmann é a que ganha mais destaque que o seu personagem. Como assim? Paul optou por usar cenas reais dos momentos em que mais é explorada a imagem de Eichmann, e tal sacada pode ser considerada como um grande acerto.

O enredo tem como foco o depoimento de figuras fundamentais que sobreviveram aos atos desumanos de Eichmann e suas tropas, e também, o empenho de Milton e Hurwitz em passar com o máximo de apelo emocional a sentença do general alemão. Com o passar dos anos, muito após o holocausto, Adolf Eichmann foi capturado na Argentina em 1960 (pais onde serviu e serve como uma das hipóteses de Hitler ter buscado refúgio após o fracassado plano de dominar o continente europeu) e levado à Israel para que o seu julgamento fosse sacramentado após dois anos, em 1962. Com tal acontecimento a BBC de Londres procurou dois de seus melhores homens para coordenar o trabalho de transmissão do evento, foi exatamente onde Milton Fruchtman, produtor de televisão, consagrou o seu nome, e foi crucial para que o renomado documentarista Leo Hurwitz recuperasse a sua moral, pois Hurwitz era uma das figuras públicas inclusa na blacklist, famosa lista de pessoas envolvidas com os movimentos esquerdistas, ou seja, os comunistas.

Paul fez questão de colocar as imagens originais do julgamento, o que leva em certos momentos o filme tomar rumos para o tipo documentário. Comparado com o nosso atual padrão de transmissão, as cenas captadas não são das melhores, e por conta da desvantagem, os relatos ficaram ríspidos diante das câmeras, mas mesmo assim é impossível não ficarmos sensibilizados com as frases e expressões das vítimas. Tudo que conferimos em relação aos depoimentos das mesmas durante o processo no tribunal é real, não existe atuações, e quando você escuta de um pai que foi obrigado a descarregar um caminhão cheio de corpos, inclusive o de sua esposa e seus dois filhos, fica complicado manter a frieza.

O trabalho da equipe israelense, liderada pelos americanos Milton e Huwitrz, também merece destaque. Pois uma dos objetivos de The Eichmann Show é passar para o público o esforço e dedicação que os profissionais tiveram com o caso, alguns deles, também foram escravizados durante o período da segunda guerra mundial, em certos momentos o espectador depara com algumas reações partindo de quem operava a câmera, pois, alguns membros do estafe também sofreram abusos e compartilharam das mesmas experiências relatadas pelas vítimas.

The Eichmann Show é um filme bastante técnico, e em alguns momentos passa uma carga emocional muito grande. Mesmo se você não é um entusiasta pelo assunto abordado, eu recomendo. O trabalho de Paul W. é um dos mais próximos da realidade, pelo simples fato de encaixar o material original da época entre as cenas de ficção, por colocar depoimentos de familiares que perderam esposos(as), filhos(as), algum parente no pior e mais agressivo regime que uma sociedade civil já sofreu até hoje.


sábado, 23 de julho de 2016

A rica trilha sonora de Stranger Things



Stranger Things tem pouco menos de uma semana de estreia pelo Netflix e já viralizou no mundo inteiro, claro, o feedback tem sido positivo. Não é para menos, pois os irmãos Matt e Ross Duffer conseguiram captar o melhor da cultura pop dos anos 1980 e criaram uma única história. Certamente se você tem entre trinta e quarenta anos terá uma nostalgia muito grande ao assistir os episódios de S.T. Entre as principais influências podemos citar: Os Goonies, Conta Comigo, Arquivo X - tudo bem, as aventuras da dupla Mulder e Scully é do começo dos anos 1990, mas está valendo. E também não poderia deixar de faltar a música, essa sim, foi escolhida a dedo. 

As aventuras de Stranger Things tem como data o ano de 1986, portanto é natural que a trilha seja daquela época. Falar dos anos oitenta é impossível não citar o pop, post-punk e até mesmo o Adult Orient Rock (AOR). E são justamente os estilos citados que estão em destaques na série.

Foi de grata surpresa deparar com 'Africa' da banda TOTO, música retirada do álbum IV de 1982 - Africa é uma canção que não apenas marcou uma geração como ultrapassou a barreira do tempo, ela permanece viva na playlist de muita gente, inclusive faz parte da minha. Quem também aparece de surpresa é a banda Echo And The Bunnymen, mutos podem até apostar que a faixa escolhida estão entre Killing Moon, Lips Like Sugar ou Bring On The Dancing Horses. Não, a música que faz parte da trilha sonora saiu do álbum Once Rain (1984) com a faixa 'Nocturnal Me'. E o hit 'Should I stay or should I go' do grupo britânico The Clash dispensa cometários. Como nem tudo é anos oitenta, vamos destacar dois grupos que nasceram nos anos sessenta, mas que fazem parte da seleção, estou falando do som psicodélico de Jeferson Airplane com a música 'She Has Funny Cars' e o rock ácido da banda americana The Seeds, aqui nós temos representando o grupo a música 'Can't Seem To Make You Mine'. 

Outra que por questão de alguns meses não entrou para os anos oitenta é a música 'Atmosphere' do obscuro e "depressivo" Joy Division, mas isso não faz diferença, pois foi no começo dos anos 1980 que a canção do precoce J.D embalou nas discotecas do mundo inteiro. Saindo da obscuridade de Ian Curtis e Cia vamos para o som mais alegre e dançante do Modern English com a música I Melt You, faixa do álbum After The Snow, lançado no ano de 1982. Outra boa surpresa é a presença do surpe grupo feminino The Bangles com a música 'Hazy Shade Of Winter'. Além das bandas destacadas o leitor pode conferir outros grandes nomes que não são exatamente da época mas que tiveram canções que explodiram na década da super-cultura pop: New Order, Foreigner, Corey Hart são grupos que também estão em destaque.

Explorar os anos 1980 em trabalhos cinematográficos não é uma novidade e tão pouco será um estorvo. Outro filme que aposta bastante nas bandas dessa época é um dos mais recentes trabalhos do ator Jack Black - The D Train (Turma de 94) - o qual eu tive a oportunidade de comentar para esta seção. Stranger Things está longe de ser a série mais original, porém, não só conquistou fans pelo mundo como já estão pedindo a segunda temporada.