quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Next Stop: Horizon - The Grand Still


Oriundo da cidade de Gotemburgo, Suécia, o grupo, ou melhor, a dupla Next Stop: Horizon pratica o que podemos denominar de Indie contemporâneo ou pelo menos próximo, já que a sua musicalidade é um misto de gêneros em um produto só. Pär Hagström e Jenny Roos pegam vários subgêneros do rock, folk, pop e adicionam tudo em um liquidificador. Eles estão no terceiro álbum de estúdio. Os primeiros We Know Exactly Where We Are Going (2011) e The Harbour, My Home (2014) receberam ótimos elogios da crítica, os mesmos apresentam uma proposta mais sombria e densa. Já o mais novo lançamento The Grand Still mantém a pegada inicial - uma forma de manter a identidade -, porém, é possível notar uma dosagem a mais de positividade e uma veia de música eletrônica.

Se você pegar The Grand Still para tentar encontrar uma época definida para ele ou associa-lo a algum estilo ou banda ficará confuso. Pär e Jenny fazem os mais diversificados tipos de experiências. Com o novo lançamento é possível notar uma pegada forte de sintetizadores, algo próximo do que o Kraftwerk fazia, mais precisamente no álbum de 1983, Eletric Cafe, mas para embaraçar tudo são adicionados pequenas lembranças da música pop/balada dos anos oitenta, e o leitor pode conferir tudo isso na faixa ‘Where Are We Heading Baby’. E a salada musical não para por aí, ‘When We Get There We Will Know’ tem uma veia mais forte do já citado Kraftwerk, mais pela parte instrumental. Outros grandes destaques da obra são ‘The Waltz’ e ‘Everyone's Earthquake’, esta última é mais indie, ela carrega mais a proposta da nova safra do Indie Rock, algo próximo do que o Arcade Of Fire pratica.

Não podemos deixar de citar ‘The Melting’, uma composição intensa, de grande carga emocional. No contexto geral o mais novo trabalho da dupla sueca é uma viagem musical, ora são aplicadas boas doses de psicodélico e eletrônico, já em outro momento é nítida a presença do rock e pop. Se você procura por algo descompromissado e eclético, talvez esteja aqui o fim da sua busca. The Grand Still foi um grande acerto e quebra de padrão imposto por eles nos primeiros álbuns. 


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

LA LA LAND


Foi de grata surpresa e ao mesmo tempo emblemático receber a notícia que LA LA LAND, um musical, abocanhou sete globos de ouro, e para complementar a festa pode torna-se o grande protagonista do Oscar. Os musicais nunca foram bem aceitos por parte do grande público, simplesmente pelo fato do excesso de músicas cantadas pelos atores e atrizes. E um dos trunfos para o sexto trabalho do Diretor Damien Chazelle alcançar tanto sucesso é que o mesmo vai muito além de um gênero pouco amistoso e popular para os dias de hoje. Ele é a junção da crítica, do clássico e ousadia em algumas questões técnicas. Damien foi pouco nostálgico quando decidiu equilibrar cenas de diálogos com as partes musicadas - ele consegue quebrar o padrão que grandes nomes dessa vertente carregam, aos exemplos de: ‘Jesus Christ Superstar’, ‘O Fantasma da Ópera’, ‘Hair’ entre outros -, e extremamente romântico ao resgatar mais uma vez um estilo de música tão obscuro e limitado a determinadas classes, o jazz.

Para o elenco foram escalados grandes nomes do cinema hollywoodiano (veja lista ao final do texto). Os papeis principais ficaram com Emma Stone (Mia) e Ryan Gosling (Sebastian). Sebastian é um pianista de Jazz. Ele tem o sonho de abrir o seu espaço/empreendimento musical. Ter o próprio bar é uma forma de acreditar que possa manter viva a chama do Jazz tradicional e ao mesmo tempo serve como meio de não se sujeitar a estilos o qual ele tem antipatia. Mia é uma atendente de uma cafeteria, carrega consigo o desejo de seguir a carreira de uma grande atriz de teatro. Mia e Sebastian casualmente se conhecem em alguns desencontros da vida. A dramatização vivida pelo casal talvez seja uma síntese da realidade da maioria dos pares românticos dos tempos modernos - se eu alongar o assunto vira spoiller.

Ryan Gosling ultimamente tem se tornado uma figura carimbada no cenário, em um curto intervalo de tempo o Ator tem ganhado papeis de grande relevância. Em ‘A Grande Aposta’ (Jared Vennett) ele teve a difícil tarefa de tentar explicar o complexado mercado imobiliário dos EUA. Já no cômico e policial ‘Dois Caras Legais’ interpreta o atrapalhado detetive Holland Marsh. E aqui ele ganha um papel mais introspectivo, mais sério. Sebastian é um misto da crítica em pessoa, de um nostálgico e sonhador. Em algumas passagens podemos observar o quanto Damien apostou em Ryan para representar a figura de um ser extinto, de pouca representatividade na sociedade hoje em dia, que é o homem defensor de culturas sub-julgadas por um mercado que só visa cegamente o lucro. Já Emma Stone ganha uma vaga na concorrência de melhor atriz com muitos pontos de interrogações. O seu desempenho na pela da doce e determinada Mia não é ruim, é considerável, porém, nada muito representativo, nada que choque o público. Se fosse para apostar minhas fichas em um dos dois, com certeza depositaria em Ryan, ainda sim com um pouco de apreensão.
O que é muito admirável é a forma com que o filme trabalha com as cores, o espectador pode conferir o tempo inteiro a forte influência delas, seja o tom sobre tom ou alto contraste, a verdade é que em todos os momentos há um belo casamento entre elas, mais parece que foi algo cuidadosamente pensado nos mínimos detalhes. Tal sacada pode ser encarado como um revival dos filmes dos anos 1980. Também é possível perceber que não há uma película de filmes modernos, onde o alto nível de desfoque e imagens ultra HD em primeiro plano são predominantes, não é atoa que o filme foi indicado ao prêmio de melhor fotografia, talvez por conseguir imprimir o retrô de forma muito inteligente – forte concorrente. Justamente essas apostas é que podem resultar em uma série de prêmios em categorias mais técnicas. 
LA LA LAND é a junção da nostalgia, resgate da boa música, e claro, podemos destacar, também, a fotografia e direção de arte. Se Damien já demonstrava certa fixação pela Jazz Music no excelente Whiplash, em LA LA LAND temos a convicção que ele vem tentando passar o recardo que esse subgênero da música está “morrendo”, e ao mesmo tempo é possível perceber uma espécie de declaração de amor pelo estilo. Se você espera mais um daqueles musicais em que atores substitui o diálogo pela música o tempo inteiro terá algumas surpresas. Creditar que o longa será o dono das principais estatuetas da academia é um pouco surreal, mas eu posso afirmar que a obra do novato Diretor renderá bons frutos, além de ser um convite para músicos, apreciadores de jazz e amantes do cinema dos anos 1980 e 1990.
Elenco principal:

Ryan Gosling (Sebastian)
Emma Stone (Mia)
J.K Simmons (Bill)  
Callie Hernandez (Tracy)
Jessica Roth (Alexis)
Sonoya Mizuno (Caitlin)
Rosemarie DeWitt (Laura)
Finn Wittrock (Gregg)
John Legend (Keith)



segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O Massacre em Guernica



26 de abril de 1937 ficou marcado na história mundial, principalmente para a cidade de Guernica/ESP, a sua população sofria um dos mais covardes ataques militares, mais precisamente do exército nazista, com apoio do fascismo italiano, liderado por Benito Mussolini e dos rebeldes nacionalistas do próprio país: os ‘falangistas’. E é na obra cinematográfica do Diretor Koldo Serra que podemos conferir um breve resumo de um dos piores episódios da Guerra Civil Espanhola – com início em 1936 e término em 1939. O Diretor espanhol, nascido na cidade de Bilbau, não tem um currículo vasto de filmes, porém, assina alguns trabalhos importantes, como é o caso de ‘Bosque das Sombras’ (2013) e ‘El tren de la bruja’ (2013). E agora podemos incluir ‘O Massacre em Guernica’ nessa lista, já que o mesmo, talvez, venha a se transformar em um dos mais amadurecidos de sua carreira.

O filme conta com a colaboração dos roteiristas Barney Cohen e Carlos Clavijo. No elenco principal temos os atores James D’Arcy (Henry), Maria Valverde (Teresa), Jack Davenport (Vasyl), Ingrid García-Jonsson (Märta), Alex García (Marco) e Barbara Goenaga (Carmem). O longa, lançado no primeiro semestre (2016), traz em seu contexto geral, romance, denúncias, e a retratação, mesmo que de forma bem resumida, dos momentos de sufoco durante o massacre, e claro, um dos pontos que mais me chamou a atenção, a censura por parte da imprensa – tema bastante propício para o nosso atual momento – se levarmos em conta o quanto é alarmante a quantidade de manchetes que nada condiz com a realidade, e tudo devido a uma desleal guerra da informação.

Até hoje eu não entendo como forma de estratégia, a inclusão de romances “água com açúcar” em contextos totalmente dramáticos e com pouco espaço para relação/tragédia entre um casal, mas enfim, uma boa parte da bilheteria deve ser por conta desses melodramas. E aqui a história não foi diferente, apesar de a temática pertencer a um fatídico e sangrento acontecimento, K. Serra vende como produto principal um “clichesento” romance, daqueles já premeditados, só que com um final mais dramático. Sim, estou falando dos papeis de James D’Arcy, o qual representa o conceituado jornalista, Henry, e de Maria Valverde, interpretando Teresa – uma funcionária da república, encarregada de inspecionar o trabalho dos jornalistas. Suas atuações não são péssimas, tem lá seus valores, porém, se o foco fosse mais direcionado para o papel de cada um ao desvendar para o mundo a farsa que acontecia naquele país durante a guerra civil, talvez, teríamos um melhor discernimento sobre o caso, mesmo que o direcionamento do filme caísse para uma veia mais documental. Mas, calma, não o julgue por essa pequena observação. Há coisas interessantes para tirar da trama, e uma delas é a influência de alguns setores/partidos nas publicações jornalísticas enviadas para o mundo.

Teresa é responsável por analisar e censurar algumas matérias redigidas pelos jornalistas que estão fazendo a cobertura dos confrontos. E é alarmante como o poder da mídia influencia e manipula a realidade. O mundo só veio ficar sabendo dos fatos, da realidade, após uma brava atitude de Henry. E o que foi divulgado era apenas uma falsa propaganda de um Estado cumprindo com os seus deveres “democráticos”, o que na verdade ocorria era uma verdadeira guerra sangrenta. A própria Alemanha só veio assumir, anos mais tarde, a responsabilidade pelos atentados, e o mais revoltante é que tais atrocidades ficaram marcadas por ser um simples treino, pois, as tropas alemãs, lideradas por Wolfram von Richthofen (morto semanas após a segunda Guerra Mundial), precisavam testar o seu armamento e táticas dos pilotos.

Em relação à invasão a cidade de Guernica, a qual aconteceu mais precisamente às 16:30min de uma tarde de segunda-feira – como está registrado em alguns documentos –, nós temos uma retratação próxima do realismo, em determinados momentos ficamos com um sentimento de impunidade, a crueldade diante vários civis chega ser agoniante. Podemos conferir como os preparos para impedir uma eventual fuga dos moradores deram certos. A fotografia mostra um cenário totalmente destruído. E diante de tal realidade nasceu uma das obras mais famosas do pintor Pablo Picasso, simplesmente intitulada de Guernica. Picasso foi obrigado a interromper um trabalho para retratar a melancolia e desesperança da cidade de acordo com os relatos de Henry.

No mais o trabalho passa um pouco do confronto entre comunistas e republicanos, mas nada muito caloroso ou aprofundado. Já na questão política interna do país, quem se autopromoveu foi o General Francisco Franco, ele tomou o poder com apoio dos falangistas. Franco obteve forte influência sobre aqueles com pensamento mais extremista. E o General conseguiu anos mais tarde transformar o que era democracia em um regime ditatorial.

No contexto geral Koldo conseguiu passar a intensidade, relatos de uma história trágica. E se contarmos que o massacre em Guernica é um tema pouco explorado por muitos espectadores, eis aqui mais um motivo para aprofundarmos neste capítulo tão animalesco. Assista ao filme e corra para os livros de histórias.



terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Journey: os quarenta anos de Look Into The Future



Que a lendária banda Journey é conhecida por suas músicas imortalizadas pelo tempo, ao exemplo de: ‘Don´t Stop Believin’, ‘Separate Ways’, ‘Faithfully’ entre outras é inquestionável, e tão pouco podemos desmerecê-las a grandeza de cada uma. Mas também não podemos deixar que a obscuridade do tempo apagasse o início dessa trajetória, onde o grupo americano ainda não contava com a sua força máxima e frontman, Steve Perry. A banda, hoje, conhecida por pertencer ao estilo Adult Oriented Rock (AOR), iniciou suas atividades como quarteto, são eles: Gregg Rolie (Vocal e teclados), Neal Schon (Guitarra), Ross Valory (Baixo) e Aynsley Dunbar (Bateria). E o primeiro filho autointitulado veio ao mundo no ano de 1975, com uma proposta de Space Rock e Progressivo. Mas eu aproveito o espaço para tecer alguns elogios ao álbum seguinte, lançado em 1976, batizado de ‘Look Into The Future, o qual completou no primeiro semestre (2016) o quadragésimo aniversário.

Look Into The Future é sem dúvida uma obra de valor inestimável, obrigatória para o conhecimento de qualquer um que se propõe a escutar o som da banda. O mesmo é uma dosagem perfeita entre o hard setentista e a música progressiva. Ele quebra um pouco a melancolia apresentada em seu antecessor e traz algo mais ousado e evolutivo. O disco é recheado de oito faixas que nos remete em alguns momentos a certas pitadas de jazz e a explosão do rock dos anos 1970. É impossível o ouvinte não vibrar com ‘On A Sartuday Nite’, faixa que abre o disco – ela é de uma classe, traz a força do hard rock praticado na época, Gregg está em uma de suas melhores performances. E a animada ‘Its All Too Much’? A faixa que te passa a certeza de ter escolhido um ótimo álbum, e que consequentemente te deixa na curiosidade para descobrir o que está por vir. Nela escutamos um hard rock mais fino, com direito a todos os elementos explorados que o estilo tem a oferecer.

Na sequência o trabalho da uma pausa na intensidade e parte para a balada ‘Anyway’, aqui nós temos uma sensação de paz, mesmo com algumas linhas de guitarra mais densa provocadas por Neal, nada que tire seus momentos reflexivos. Podemos destacar, também, a faixa-título, Gregg está inspirado, com uma voz intensa, e que passa uma aproximação muito forte com a letra, é como se um ator se identificasse perfeitamente com o seu personagem, só que neste caso com a música. E para fechar com chave de ouro temos duas canções muito bem construídas, exatamente onde você perceberá a influência de música progressiva e jazz. O momento mais jazzista fica para ‘Midnigth Dreamer’, principalmente em algumas partes da bateria de Aynsley Dunbar. Já em ‘I’m Gonna Leave You’, temos o excêntrico, a psicodelia, a complexidade, o que pode resultar em uma criação bem progressiva. Não posso descrever mais nada, apenas escute-a.

Se você não conhece a carreira da banda Journey, de forma profunda, com certeza terá algum tipo de susto, pois, ‘Look Into The Future’ não é, nenhum pouco, a música praticada de hoje. De certo ponto de vista, podemos considerá-lo – ao lado do primeiro e terceiro trabalho, ‘Next’ (1977) – o lado ‘B’, a parte obscura da banda. Natural, já que estamos falando de outra formação, considerada mais hard, se comparado com o rock mais “redondinho” praticado nas composições da formação com S. Perry. Tenha certeza que ‘Departure’ (1980), ‘Escape’ (1981), ‘Frontiers’ (1982) – até mesmo, o injustiçado por conta de uma péssima promoção, ‘Trial By Fire’ (1996) –, são obras prima, o qual  resultado trouxe uma identidade para a banda. Porém, desmerecer a fase inicial é de um erro sem fim. 



terça-feira, 29 de novembro de 2016

Metallica: o "mi mi mi" desnecessário





Quando começa o maior “mi mi mi” do cenário heavy metal? Basta o Metallica lançar um novo álbum. Dito e feito assim que ‘Hardwired... To Self Destruct’, mais novo lançamento da banda americana, chegou aos ouvidos dos fãs. Acho que o Metallica é alvo de críticas desde o lançamento de ‘Black Album (1991), uma de suas criações de maior sucesso comercial. Mas o ouvinte pode perceber o início de novas experiências já em ‘... And Justice For All’ (1988), um material conceitual, com músicas longas e complexas (permita-me dizer que uma das piores mixagens da banda está em ‘... And Justice...’, talvez tal motivo seja um dos que me faz não ter nenhum tipo de apreço pelo o mesmo). E foi em B.A que a banda assumiu de vez que nunca mais seria a mesma de ‘Kill ‘Em All’ (1983), ‘Ride The Ligthning(1985) e ‘Master Of Puppets(1986). Ou seja, faz mais de vinte e cinco anos que eles anunciaram a morte do Metallica “Thrash Metal”, e até hoje muitos fãs ficam na bronca com o quarteto.

Não é novidade para alguns amigos mais próximos, mas a verdade é que em relação à banda, sou completamente ortodoxo, somente até ao ‘Master Of Puppets’ eu consigo ouvir na íntegra – e mesmo assim não mantenho nenhum tipo de marra por eles não lançarem mais discos do meu gosto. Como eu disse antes, desde ‘Black Album’ que eles se reinventam a cada obra, a sua discografia tem uma construção muito bem diversificada e elaborada – com exceção de ‘St. Anger’ (2003), seja lá o que o baterista Lars Ulrich tentou criar de novo, não deu certo, o som da bateria é horrível (o que não é nenhuma novidade), sem contar a péssima inspiração dos músicos. 

Antes do lançamento de ‘St. Anger’, os fãs mais fervorosos pegavam para cristo os discos ‘
Load’ (1996) e ‘Reload’ (1997). Hoje já vejo uma grande parcela confessar que há coisas legais em ‘Load’, outros assumiram completamente que o mesmo é um grande álbum, ok. Eu vou um pouco mais além: será mesmo se ‘Reload’ é totalmente de se jogar fora? “Fuel” não é uma música que carrega o selo de qualidade? Será mesmo que entendemos a proposta de “The Memory Remains”?

‘Hardwired... To Self Destruct’ também não foi poupado de críticas. Particularmente acho que eles tentaram seguir a linha de ‘Death Magnetic’, apresentando um pouco da pegada que há em seu antecessor, que é um breve resumo da carreira, principalmente do início dos anos 1990. E, esqueça, Lars a cada dia que passa demostra que nunca mais será o mesmo baterista de antigamente, parece ser intencional sua forma de tocar. O que me espantou um pouco foi a “preguicinha” do guitarrista Kirk Hammett, mas enfim, nada que elimine a ideia de um álbum bem projetado, e mais uma vez, eles estão respeitando a época. 

Nas palavras de um fã: sim, eu queria um Metallica com uma bateria mais agressiva, que capitasse a ambiência de estúdio, aquela bateria com eco, gostaria de guitarras rápidas e solos que beirasse o velho trhash metal da bay-area, que a voz de James Hetifield soasse um pouco mais “suja”, mais intensa. Porém, eu não tenho mais esse direito, seria de um egoísmo desnecessário de minha parte esperar que uma banda retroceda de forma drástica. Mesmo não sendo um fã assíduo, eu entendo a importância que eles têm em um contexto geral. A verdade é que eles conseguem movimentar um mercado quase apagado, ainda é a banda que mais lota estádios. Querendo ou não, ainda é um dos raros grupo que faz um serviço em prol do Metal. Há muito tempo estou conformado, estou feliz com os três primeiros clássicos. Eu sei que pode soar estranho um ouvinte de apenas três álbuns advogar uma carreira completa, o fato é que precisamos ser justos, a imparcialidade deve prevalecer.


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O Dono do Jogo


Às vezes o ser na busca pela autossuperação pode tornar-se refém do próprio ego e loucura. É com esta reflexão que defino o filme ‘O Dono do Jogo’ - obra que resume o sucesso e decadência de Bobby Fischer , um dos maiores competidores do jogo mais estratégico já criado: o xadrez. O longa, lançado oficialmente em meados de abril/maio(2016), foi dirigido por Edward Zwick (O Último Samurai, Diamente de Sanguee conta com as atuações (principais) dos atores Tobey Maguire (Bobby Fischer) e Live Schreiber, aqui ele interpreta o papel de outra lenda da modalidade, Boris Spassky –  a figura de Spassky dispensa comentários. O Dono do Jogo não é o filme mais genial do ano, porém, vale a atenção do espectador. Em pouco mais de uma hora e meia temos a narração da vida de um gênio, perfeccionista e frustrado competidor.

Bobby F. entrou para a história do Xadrez mundial por conta de seu dom para com o jogo, descoberto ainda na infância. Sempre demonstrava habilidades incomum para uma criança da sua idade, e tais talentos fizeram dele um dos maiores competidores e vencedores de campeonatos e torneios mundiais. Porém, Bobby paga um alto preço pelo sucesso com suaves prestações. O ser humano está propício a contrair diversos tipos de doenças, e, algumas delas, podem ganhar forças quando deixamos alguns hábitos nada saudáveis tomarem de conta da gente, por exemplo: a schizophrenia. E foi justamente o descontrole e mania de perseguição que atrapalhou a carreira de uma das figuras centrais do xadrez mundial.

A trama dá uma geral, de forma resumida, na carreira de Bobby, tendo como foco a disputa acirrada com o russo Spassky e o confronto com seus próprios demônios. Aos poucos Bobby F. encontra dentro de si uma espécie de sabotagem, onde já não tem mais o domínio da própria mente. O sucesso, popularidade e prepotência são elementos básicos para que ele tenha certa facilidade de contrair uma doença degenerativa, e tais enfermidades o atacam justamente quando está próximo a conquistar o topo. Talvez se as pessoas próximas a Fischer tivessem diagnosticado a sua deficiência logo no início, ele teria mais chances de lidar e enfrentar o problema com forças, mas poucos perceberam que suas exigências na verdade era uma anormalidade, tanto que a ajuda só veio em um estágio já muito avançado da doença, o que dificultou a sua recuperação.

Bobby talvez seja a síntese da prepotência, genialidade e ambição de vencer, de ser sempre o primeiro. Só que ele só não esperava que a junção de todos estes “adjetivos” resultasse em um homem condenado a insalubridade. A intensidade de Bobby faz com que ele tenha hábitos nada comuns, tudo isso por conta de uma falsa perseguição. Ele insiste que é vigiado e perseguido, e tal complexidade o faz tomar atitudes inesperadas. Em seus atos mais extremos, quem está próximo começa a perceber que tem alguma coisa errada com ele. Com o passar do tempo percebemos as dificuldades que um dos maiores enxadrista tem que enfrentar, principalmente em períodos de importantes competições, como é o caso da partida contra Spassky.

E justamente a mistura do excêntrico, o mau humor e arrogância caiu como uma luva para T. Maguire – conhecido mundialmente por interpretar Pitter Park, o Homem Aranha. Como eu disse antes, Maguire ganha um personagem totalmente ao contrário do que habitualmente vinha interpretando. Aqui ele é mais sério, complexo e amadurecido, características que só engrandecem o seu trabalho.

A direção merece algumas palmas, pois, ela conseguiu expressar a alta sensibilidade que Fischer tem em relação a ruídos e desconfortos, talvez isso possa ser encarado como um transtorno ou apenas a extrema necessidade de silêncio e conforto, fica a seu critério. A verdade é que tais obsessões acarretaram para uma debilitada saúde mental.

A produção de Zwick relata o início, o meio e a decadência de uma mente genial. O Dono do Jogo não é o primeiro e nem o último filme a abordar este tipo de drama. ‘Uma Mente Brilhante’(2001) com Russel Crowe também retrata algo semelhante à vida de Fischer. O trabalho de Zwick é despretensioso e reflexivo. Por meio de uma biografia temos a retratação da ambição do homem pelo melhor lugar no pódio, e as consequências de uma doença covarde.