DAY OF A LION: Com poucos recursos, thriller independente consegue nos envolver do primeiro ao último minuto

Elenco: Bianca Forscht, Dilara Forscht e Simone Neviani

Direção: Bianca Forscht e Dilara Forscht

País: Canadá

Ano: 2025


Por Rômulo Campos

‘Day of a Lion’ (Canadá) é um filme independente de 2025, dirigido pelas irmãs austríacas Bianca e Dilara Forscht. A obra chegou ao circuito de forma discreta, até a Gravitas Ventures (distribuidora norte-americana) adquirir seus direitos — feito que conferiu ao longa certa notoriedade nos festivais de cinema europeus. As irmãs Forscht estreiam na direção com uma produção minimalista, repleta de mistérios e com enorme peso emocional. Tudo é apresentado em uma locação simples e limitada, mas que se transforma em um enorme campo de batalha.

A trama gira em torno das irmãs Wanda (Bianca) e Dolly (Dilara). Elas se reencontram logo após a morte do pai, após um hiato separadas, para tratar de questões burocráticas e heranças, tocando em feridas que ainda não cicatrizaram. Toda essa atmosfera é ambientada em um cenário vintage do final dos anos 1950. Wanda, Inicialmente introvertida e centrada, sente-se na obrigação de satisfazer os caprichos da primogênita por ser a mais nova. Dolly, Possui personalidade extrovertida, com um humor que oscila drasticamente com o passar do tempo.

Tais perfis são a síntese perfeita para revelar traços que podem, em um primeiro momento, confundir o espectador e gerar impressões precipitadas. Particularmente, essas transições de caráter foram um ponto muito assertivo, pois conferem às cenas maior densidade e mistério.

Com o desenrolar dos fatos, a história ganha um clima carregado de segredos, mantendo nossa atenção voltada para aquela residência e suas peculiaridades. Por ser um trabalho independente, a locação é única e de baixo custo; tudo ocorre em um ambiente doméstico que explora o minimalismo, com tons e objetos que remetem a um passado visivelmente desconfortável para as protagonistas. Os espaços são claustrofóbicos e apertados, porém muito bem aproveitados pela fotografia de Marco Lamera, cujos enquadramentos e cortes alcançam a perfeição dentro da simplicidade.

No desenvolvimento das personagens, Bianca e Dilara exploram perspectivas sombrias, utilizando a morte como tema central. A partir dela, extraem camadas que revelam o pior da natureza humana, especialmente quando o que está em jogo são posses, ego e vingança. Ao mesmo tempo em que Wanda e Dolly trocam afagos, elas se deixam seduzir pela paranoia ao se sentirem ameaçadas. Aqui, o conceito de vilã não possui um alvo único ou um rótulo explícito; dependendo dos sentimentos aflorados, a perversidade pode se manifestar até mesmo naquele(a) que possui pensamentos puros.

‘Day of a Lion’ é uma película de poucos recursos, mas que consegue nos envolver do primeiro ao último minuto. Em momento algum temos a impressão de que falta algo; pelo contrário, dentro da simplicidade, as irmãs nos presenteiam com um thriller intimista sobre o que restou de uma família marcada por abusos, favoritismos e disputas.

 

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