A VOZ DE HIND RAJAB: Devastador e agoniante
Elenco: Saja Kilani, Motaz Malhees, Clara Khoury e Amer Hlehel
Direção: Kaouther
Ben Hania
País: Turquia
Ano: 2025
Pela primeira vez, conferi um filme torcendo para que acabasse logo ou pensando se continuaria a ver ou não – e, certamente, tanto este texto quanto o filme serão conteúdos que não voltarei a visitar. E não, não é por ser ruim; pelo contrário, é um excelente trabalho, porém muito agoniante de acompanhar, doloroso.
O longa, indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional, relata o drama vivido por uma equipe de primeiros socorros encarregada de resgatar os feridos pela ofensiva israelense. Uso este espaço para alertar que jamais podemos chamar o massacre de Israel contra Gaza de "guerra". A palavra é usada quando há dois lados em confronto, o que jamais aconteceu neste episódio dantesco. Voltando à sinopse do filme: Hind Rajab estava sob a guarda dos tios em um veículo. O carro, ao ser alvejado pelas tropas israelenses, deixa praticamente todos vitimados; a menina Hind é a única a se manter viva. A garota sobrevive ao ataque e pede ajuda aos familiares para sair daquele cenário. Rapidamente, um tio de Hind contata a equipe de socorro, a Cruz Vermelha. A partir daí, o espectador assiste a um drama que jamais desejará ver novamente.
Omar A. Alqam (Motaz Malhees) é um atendente da equipe de socorro e o primeiro a ter contato com o tio de Hind, que avisa sobre o apuro em que a sobrinha se encontra e pede ajuda urgente. Omar consegue falar com Hind e escuta o desespero da garota para sair logo dali. Os momentos de tensão tomam conta da história; de tão forte, essa angustia é transmitida ao espectador. O grupo de socorristas é dirigido pelo chefe Mahid M. Aljmal (Amer Hlehel), que é extremamente cauteloso antes de tomar qualquer decisão, pois o cenário em que vivem os paramédicos é como um campo minado: um passo em falso pode ocasionar uma tragédia.
É impressionante como a diretora Kaouther conseguiu imprimir as horas de drama vivido pelos envolvidos de forma impecável. É impossível não sentirmos empatia em cada corte, principalmente quando entra em cena Rana Hassan (Saja Kilani), coordenadora dos atendentes. Rana traz toda a carga emocional para si. Ela é a responsável por manter o diálogo com Hind, mas seu tratamento vai muito além do profissional. Rana sente cada minuto de angústia vivido pela garotinha; ela sofre junto com Hind. Isso lava os takes a um ar muito mais melancólico e devastador.
Com certeza, ‘A Voz de Hind Rajab’ entra para a história mais como uma peça documental do que como uma mera obra de cinema. É um registro necessário para que, no futuro, a memória de muitos seja refrescada. A curta e dramática história da pequena Hind precisa ecoar como um capítulo esclarecedor da nossa história e ser um “pesadelo” na mente de todos os envolvidos que contribuíram para o extermínio do povo palestino.



