BUGONIA: Caótico e perfeito
Elenco: Emma
Stone, Jesse Plemons, Aidan Delbis, Alicia Silvestone, Stavros Halkias,
Parvinder Shergill, Vanessa Eng e Cedric Dumornay
Direção: Yorgos
Lanthimos
País: Irlanda,
Reino Unido, Canadá, Coreia do Sul e EUA
Ano: 2025
Em uma linguagem carregada de
ironia e pitadas de humor, Lanthimos exibe em sua obra toda a paranoia que
vivenciamos na atualidade: teorias conspiratórias, exploração corporativista e
caos psicológico. Apesar de se tratar de uma releitura de uma história publicada há
mais de vinte anos, o enredo nunca pareceu tão atual; claro, a ótica do diretor
ajudou, de maneira impecável, a modernizar o roteiro.
A trama gira em torno de um recorte da vida de Teddy (Jesse Plemons) e seu primo, Don (Aidan Delbis) — vale ressaltar que, na vida real, o ator Aidan também faz parte do espectro autista. Teddy vive imerso, quase em tempo integral, em conspirações e, nessa jornada, acaba arrastando seu primo. Ambos acreditam que a chefe de Teddy, a empresária Michelle Fuller (Emma Stone), dona de uma multinacional farmacêutica, é uma alienígena. Movido por essa crença cega, Teddy decide sequestrá-la para forçar um encontro com a "nave-mãe" e os superiores da executiva. A partir daí, o enredo se desenvolve presenteando o espectador com cenas que transitam do comum ao dantesco.
A ideia do cineasta de expor a
verdadeira natureza humana sob um ponto de vista animalesco foi brilhante. A
começar pelo personagem de Jesse Plemons, que consegue quebrar barreiras e
revelar diversas facetas na pele de uma única figura. Ele constrói o perfil,
inicialmente, como um cidadão comum, com seus problemas pessoais e familiares,
levando uma vida aparentemente normal: casa, emprego... No entanto, essa
construção não é nada linear, causando surpresa e espanto. Com certeza, estamos
diante de uma das melhores atuações da carreira do ator.
Já Aidan, na pele de Don, é o
elemento mais humano do filme. Mesmo sendo participativo e apoiando as ideias
de Teddy, ele conquista o público facilmente por sua inocência. Emma Stone não
fica atrás; mais uma vez, ela mantém a excelência ao interpretar uma empresária
que é a pura personificação da nova geração de corporativistas: aqueles que
fazem os próprios funcionários acreditarem estar vivendo algo grandioso ao
cederem seu suor para uma companhia que só gera lucros ao dono. O que mais
impressiona na atuação de Emma é como ela projeta um perfil controlador e
persuasivo — do tipo que faz você acreditar que tem uma escolha quando, na
verdade, tudo está sob o comando dela.
‘BUGONIA’ certamente se destacará no circuito por sua grandeza e construção. O enredo ganha corpo gradualmente, e tal evolução cativa o público de forma arrematadora, provocando diferentes emoções e reações. O lúdico e o surreal caminham lado a lado. Esta foi a via que Lanthimos encontrou para transmitir suas ideias com sarcasmo e um forte teor metafórico — principalmente no ato final.





