Journey: 'Freedom' cria conexão sonora direta com os grandes clássicos da banda

(Por Rômulo Campos)

A banda norte-americana Journey, referência do subgênero Adult-oriented rock (AOR), disponibiliza o décimo quinto disco de estúdio, intitulado 'Freedom'. Após o entrave judicial com antigos membros, Neal Schon (guitarra e fundador) e Jonathan Cain (Teclados) venceram a batalha. Hoje, o grupo está consolidado com Arnel Pineda (Vocal), Randy Jackson (Baixo) e Deen Castronovo (Bateria). Freedom é o álbum que cria conexão sonora direta com os grandes clássicos do grupo: 'Departure' (1980), 'Escape' (1981) e 'Frontiers' (1983), muito dos elementos fará com que o ouvinte tenha uma viagem nostálgica, direto para a fase áurea do grupo, período em que Steve Perry era o frontman do conjunto. Para descolar um pouco das referências clássicas, também é possível encontrar, em algumas músicas, passagens sutis de blues e rock moderno.

Recheado com 16 faixas, o novo álbum inicia com ‘Together We Run’, se comparada com as demais, esta é uma das mais modernas de todo trabalho, porém, a mesma não perde aquela sonoridade clássica dos teclados de Jonathan e os refrães grudentos – caraterística adotadas por Steve Perry (ex-vocalista) e que tornou-se marca registrada. ‘Don’t Give Up On Us’ tem uma introdução que resgata totalmente o clima da conhecida ‘Separate Ways (Worlds Apart)' – música que integra o incontestável ‘Frontiers’. E se falarmos de Journey e não citar grandes baladas, não é o Journey. Aqui, os grandes destaques ficam para ‘Still Beliebe In Love’ e ‘Beatiful As You Are’ – sobre esta última, estamos diante de uma das maiores composições feitas até hoje pelo quinteto; ela é melosa e intensa, carregada de arranjos que casam perfeitamente com a voz de Pineda – já a considero como minha favorita de todo o trabalho.

Saindo um pouco da sombra do passado, ‘Let It Rain’ tem uma levada bem hard/blues, referenciando algo feito por grupos como o Aerosmith entre outros. ‘Come Away With Me’ tem linhas de metais, ótimo groove e com arranjos calcados no peso, e a junção de todos esses elementos fazem ela soar moderna e pesada.

Ok, é notório que Neal Schon e cia – que está em uma de suas melhores performances como guitar heroe – tinham como objetivo fazer de ‘Freedom’ uma honrosa menção ao legado deixado por eles nos anos oitenta, a começar pelo designer da capa. O vocalista A. Pineda não esconde as fortes influências de um dos ícones que passou pela trajetória do Journey, a incomparável voz de Steve. Este lançamento é para o ouvinte escutar totalmente descompromissado e sem fortes cobranças, apenas aproveite mais um ótimo capítulo deixado por uma das maiores bandas de rock de todos os tempos. 


Postagens mais visitadas