sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

LA LA LAND


Foi de grata surpresa e ao mesmo tempo emblemático receber a notícia que LA LA LAND, um musical, abocanhou sete globos de ouro, e para complementar a festa pode torna-se o grande protagonista do Oscar. Os musicais nunca foram bem aceitos por parte do grande público, simplesmente pelo fato do excesso de músicas cantadas pelos atores e atrizes. E um dos trunfos para o sexto trabalho do Diretor Damien Chazelle alcançar tanto sucesso é que o mesmo vai muito além de um gênero pouco amistoso e popular para os dias de hoje. Ele é a junção da crítica, do clássico e ousadia em algumas questões técnicas. Damien foi pouco nostálgico quando decidiu equilibrar cenas de diálogos com as partes musicadas - ele consegue quebrar o padrão que grandes nomes dessa vertente carregam, aos exemplos de: ‘Jesus Christ Superstar’, ‘O Fantasma da Ópera’, ‘Hair’ entre outros -, e extremamente romântico ao resgatar mais uma vez um estilo de música tão obscuro e limitado a determinadas classes, o jazz.

Para o elenco foram escalados grandes nomes do cinema hollywoodiano (veja lista ao final do texto). Os papeis principais ficaram com Emma Stone (Mia) e Ryan Gosling (Sebastian). Sebastian é um pianista de Jazz. Ele tem o sonho de abrir o seu espaço/empreendimento musical. Ter o próprio bar é uma forma de acreditar que possa manter viva a chama do Jazz tradicional e ao mesmo tempo serve como meio de não se sujeitar a estilos o qual ele tem antipatia. Mia é uma atendente de uma cafeteria, carrega consigo o desejo de seguir a carreira de uma grande atriz de teatro. Mia e Sebastian casualmente se conhecem em alguns desencontros da vida. A dramatização vivida pelo casal talvez seja uma síntese da realidade da maioria dos pares românticos dos tempos modernos - se eu alongar o assunto vira spoiller.

Ryan Gosling ultimamente tem se tornado uma figura carimbada no cenário, em um curto intervalo de tempo o Ator tem ganhado papeis de grande relevância. Em ‘A Grande Aposta’ (Jared Vennett) ele teve a difícil tarefa de tentar explicar o complexado mercado imobiliário dos EUA. Já no cômico e policial ‘Dois Caras Legais’ interpreta o atrapalhado detetive Holland Marsh. E aqui ele ganha um papel mais introspectivo, mais sério. Sebastian é um misto da crítica em pessoa, de um nostálgico e sonhador. Em algumas passagens podemos observar o quanto Damien apostou em Ryan para representar a figura de um ser extinto, de pouca representatividade na sociedade hoje em dia, que é o homem defensor de culturas sub-julgadas por um mercado que só visa cegamente o lucro. Já Emma Stone ganha uma vaga na concorrência de melhor atriz com muitos pontos de interrogações. O seu desempenho na pela da doce e determinada Mia não é ruim, é considerável, porém, nada muito representativo, nada que choque o público. Se fosse para apostar minhas fichas em um dos dois, com certeza depositaria em Ryan, ainda sim com um pouco de apreensão.
O que é muito admirável é a forma com que o filme trabalha com as cores, o espectador pode conferir o tempo inteiro a forte influência delas, seja o tom sobre tom ou alto contraste, a verdade é que em todos os momentos há um belo casamento entre elas, mais parece que foi algo cuidadosamente pensado nos mínimos detalhes. Tal sacada pode ser encarado como um revival dos filmes dos anos 1980. Também é possível perceber que não há uma película de filmes modernos, onde o alto nível de desfoque e imagens ultra HD em primeiro plano são predominantes, não é atoa que o filme foi indicado ao prêmio de melhor fotografia, talvez por conseguir imprimir o retrô de forma muito inteligente – forte concorrente. Justamente essas apostas é que podem resultar em uma série de prêmios em categorias mais técnicas. 
LA LA LAND é a junção da nostalgia, resgate da boa música, e claro, podemos destacar, também, a fotografia e direção de arte. Se Damien já demonstrava certa fixação pela Jazz Music no excelente Whiplash, em LA LA LAND temos a convicção que ele vem tentando passar o recardo que esse subgênero da música está “morrendo”, e ao mesmo tempo é possível perceber uma espécie de declaração de amor pelo estilo. Se você espera mais um daqueles musicais em que atores substitui o diálogo pela música o tempo inteiro terá algumas surpresas. Creditar que o longa será o dono das principais estatuetas da academia é um pouco surreal, mas eu posso afirmar que a obra do novato Diretor renderá bons frutos, além de ser um convite para músicos, apreciadores de jazz e amantes do cinema dos anos 1980 e 1990.
Elenco principal:

Ryan Gosling (Sebastian)
Emma Stone (Mia)
J.K Simmons (Bill)  
Callie Hernandez (Tracy)
Jessica Roth (Alexis)
Sonoya Mizuno (Caitlin)
Rosemarie DeWitt (Laura)
Finn Wittrock (Gregg)
John Legend (Keith)