terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O Massacre em Guernica



26 de abril de 1937 ficou marcado na história mundial, principalmente para a cidade de Guernica/ESP, a sua população sofria um dos mais covardes ataques militares, mais precisamente do exército nazista, com apoio do fascismo italiano, liderado por Benito Mussolini e dos rebeldes nacionalistas do próprio país: os ‘falangistas’. E é na obra cinematográfica do Diretor Koldo Serra que podemos conferir um breve resumo de um dos piores episódios da Guerra Civil Espanhola – com início em 1936 e término em 1939. O Diretor espanhol, nascido na cidade de Bilbau, não tem um currículo vasto de filmes, porém, assina alguns trabalhos importantes, como é o caso de ‘Bosque das Sombras’ (2013) e ‘El tren de la bruja’ (2013). E agora podemos incluir ‘O Massacre em Guernica’ nessa lista, já que o mesmo, talvez, venha a se transformar em um dos mais amadurecidos de sua carreira.

O filme conta com a colaboração dos roteiristas Barney Cohen e Carlos Clavijo. No elenco principal temos os atores James D’Arcy (Henry), Maria Valverde (Teresa), Jack Davenport (Vasyl), Ingrid García-Jonsson (Märta), Alex García (Marco) e Barbara Goenaga (Carmem). O longa, lançado no primeiro semestre (2016), traz em seu contexto geral, romance, denúncias, e a retratação, mesmo que de forma bem resumida, dos momentos de sufoco durante o massacre, e claro, um dos pontos que mais me chamou a atenção, a censura por parte da imprensa – tema bastante propício para o nosso atual momento – se levarmos em conta o quanto é alarmante a quantidade de manchetes que nada condiz com a realidade, e tudo devido a uma desleal guerra da informação.

Até hoje eu não entendo como forma de estratégia, a inclusão de romances “água com açúcar” em contextos totalmente dramáticos e com pouco espaço para relação/tragédia entre um casal, mas enfim, uma boa parte da bilheteria deve ser por conta desses melodramas. E aqui a história não foi diferente, apesar de a temática pertencer a um fatídico e sangrento acontecimento, K. Serra vende como produto principal um “clichesento” romance, daqueles já premeditados, só que com um final mais dramático. Sim, estou falando dos papeis de James D’Arcy, o qual representa o conceituado jornalista, Henry, e de Maria Valverde, interpretando Teresa – uma funcionária da república, encarregada de inspecionar o trabalho dos jornalistas. Suas atuações não são péssimas, tem lá seus valores, porém, se o foco fosse mais direcionado para o papel de cada um ao desvendar para o mundo a farsa que acontecia naquele país durante a guerra civil, talvez, teríamos um melhor discernimento sobre o caso, mesmo que o direcionamento do filme caísse para uma veia mais documental. Mas, calma, não o julgue por essa pequena observação. Há coisas interessantes para tirar da trama, e uma delas é a influência de alguns setores/partidos nas publicações jornalísticas enviadas para o mundo.

Teresa é responsável por analisar e censurar algumas matérias redigidas pelos jornalistas que estão fazendo a cobertura dos confrontos. E é alarmante como o poder da mídia influencia e manipula a realidade. O mundo só veio ficar sabendo dos fatos, da realidade, após uma brava atitude de Henry. E o que foi divulgado era apenas uma falsa propaganda de um Estado cumprindo com os seus deveres “democráticos”, o que na verdade ocorria era uma verdadeira guerra sangrenta. A própria Alemanha só veio assumir, anos mais tarde, a responsabilidade pelos atentados, e o mais revoltante é que tais atrocidades ficaram marcadas por ser um simples treino, pois, as tropas alemãs, lideradas por Wolfram von Richthofen (morto semanas após a segunda Guerra Mundial), precisavam testar o seu armamento e táticas dos pilotos.

Em relação à invasão a cidade de Guernica, a qual aconteceu mais precisamente às 16:30min de uma tarde de segunda-feira – como está registrado em alguns documentos –, nós temos uma retratação próxima do realismo, em determinados momentos ficamos com um sentimento de impunidade, a crueldade diante vários civis chega ser agoniante. Podemos conferir como os preparos para impedir uma eventual fuga dos moradores deram certos. A fotografia mostra um cenário totalmente destruído. E diante de tal realidade nasceu uma das obras mais famosas do pintor Pablo Picasso, simplesmente intitulada de Guernica. Picasso foi obrigado a interromper um trabalho para retratar a melancolia e desesperança da cidade de acordo com os relatos de Henry.

No mais o trabalho passa um pouco do confronto entre comunistas e republicanos, mas nada muito caloroso ou aprofundado. Já na questão política interna do país, quem se autopromoveu foi o General Francisco Franco, ele tomou o poder com apoio dos falangistas. Franco obteve forte influência sobre aqueles com pensamento mais extremista. E o General conseguiu anos mais tarde transformar o que era democracia em um regime ditatorial.

No contexto geral Koldo conseguiu passar a intensidade, relatos de uma história trágica. E se contarmos que o massacre em Guernica é um tema pouco explorado por muitos espectadores, eis aqui mais um motivo para aprofundarmos neste capítulo tão animalesco. Assista ao filme e corra para os livros de histórias.