terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Journey: os quarenta anos de Look Into The Future



Que a lendária banda Journey é conhecida por suas músicas imortalizadas pelo tempo, ao exemplo de: ‘Don´t Stop Believin’, ‘Separate Ways’, ‘Faithfully’ entre outras é inquestionável, e tão pouco podemos desmerecê-las a grandeza de cada uma. Mas também não podemos deixar que a obscuridade do tempo apagasse o início dessa trajetória, onde o grupo americano ainda não contava com a sua força máxima e frontman, Steve Perry. A banda, hoje, conhecida por pertencer ao estilo Adult Oriented Rock (AOR), iniciou suas atividades como quarteto, são eles: Gregg Rolie (Vocal e teclados), Neal Schon (Guitarra), Ross Valory (Baixo) e Aynsley Dunbar (Bateria). E o primeiro filho autointitulado veio ao mundo no ano de 1975, com uma proposta de Space Rock e Progressivo. Mas eu aproveito o espaço para tecer alguns elogios ao álbum seguinte, lançado em 1976, batizado de ‘Look Into The Future, o qual completou no primeiro semestre (2016) o quadragésimo aniversário.

Look Into The Future é sem dúvida uma obra de valor inestimável, obrigatória para o conhecimento de qualquer um que se propõe a escutar o som da banda. O mesmo é uma dosagem perfeita entre o hard setentista e a música progressiva. Ele quebra um pouco a melancolia apresentada em seu antecessor e traz algo mais ousado e evolutivo. O disco é recheado de oito faixas que nos remete em alguns momentos a certas pitadas de jazz e a explosão do rock dos anos 1970. É impossível o ouvinte não vibrar com ‘On A Sartuday Nite’, faixa que abre o disco – ela é de uma classe, traz a força do hard rock praticado na época, Gregg está em uma de suas melhores performances. E a animada ‘Its All Too Much’? A faixa que te passa a certeza de ter escolhido um ótimo álbum, e que consequentemente te deixa na curiosidade para descobrir o que está por vir. Nela escutamos um hard rock mais fino, com direito a todos os elementos explorados que o estilo tem a oferecer.

Na sequência o trabalho da uma pausa na intensidade e parte para a balada ‘Anyway’, aqui nós temos uma sensação de paz, mesmo com algumas linhas de guitarra mais densa provocadas por Neal, nada que tire seus momentos reflexivos. Podemos destacar, também, a faixa-título, Gregg está inspirado, com uma voz intensa, e que passa uma aproximação muito forte com a letra, é como se um ator se identificasse perfeitamente com o seu personagem, só que neste caso com a música. E para fechar com chave de ouro temos duas canções muito bem construídas, exatamente onde você perceberá a influência de música progressiva e jazz. O momento mais jazzista fica para ‘Midnigth Dreamer’, principalmente em algumas partes da bateria de Aynsley Dunbar. Já em ‘I’m Gonna Leave You’, temos o excêntrico, a psicodelia, a complexidade, o que pode resultar em uma criação bem progressiva. Não posso descrever mais nada, apenas escute-a.

Se você não conhece a carreira da banda Journey, de forma profunda, com certeza terá algum tipo de susto, pois, ‘Look Into The Future’ não é, nenhum pouco, a música praticada de hoje. De certo ponto de vista, podemos considerá-lo – ao lado do primeiro e terceiro trabalho, ‘Next’ (1977) – o lado ‘B’, a parte obscura da banda. Natural, já que estamos falando de outra formação, considerada mais hard, se comparado com o rock mais “redondinho” praticado nas composições da formação com S. Perry. Tenha certeza que ‘Departure’ (1980), ‘Escape’ (1981), ‘Frontiers’ (1982) – até mesmo, o injustiçado por conta de uma péssima promoção, ‘Trial By Fire’ (1996) –, são obras prima, o qual  resultado trouxe uma identidade para a banda. Porém, desmerecer a fase inicial é de um erro sem fim.