terça-feira, 29 de novembro de 2016

Metallica: o "mi mi mi" desnecessário





Quando começa o maior “mi mi mi” do cenário heavy metal? Basta o Metallica lançar um novo álbum. Dito e feito assim que ‘Hardwired... To Self Destruct’, mais novo lançamento da banda americana, chegou aos ouvidos dos fãs. Acho que o Metallica é alvo de críticas desde o lançamento de ‘Black Album (1991), uma de suas criações de maior sucesso comercial. Mas o ouvinte pode perceber o início de novas experiências já em ‘... And Justice For All’ (1988), um material conceitual, com músicas longas e complexas (permita-me dizer que uma das piores mixagens da banda está em ‘... And Justice...’, talvez tal motivo seja um dos que me faz não ter nenhum tipo de apreço pelo o mesmo). E foi em B.A que a banda assumiu de vez que nunca mais seria a mesma de ‘Kill ‘Em All’ (1983), ‘Ride The Ligthning(1985) e ‘Master Of Puppets(1986). Ou seja, faz mais de vinte e cinco anos que eles anunciaram a morte do Metallica “Thrash Metal”, e até hoje muitos fãs ficam na bronca com o quarteto.

Não é novidade para alguns amigos mais próximos, mas a verdade é que em relação à banda, sou completamente ortodoxo, somente até ao ‘Master Of Puppets’ eu consigo ouvir na íntegra – e mesmo assim não mantenho nenhum tipo de marra por eles não lançarem mais discos do meu gosto. Como eu disse antes, desde ‘Black Album’ que eles se reinventam a cada obra, a sua discografia tem uma construção muito bem diversificada e elaborada – com exceção de ‘St. Anger’ (2003), seja lá o que o baterista Lars Ulrich tentou criar de novo, não deu certo, o som da bateria é horrível (o que não é nenhuma novidade), sem contar a péssima inspiração dos músicos. 

Antes do lançamento de ‘St. Anger’, os fãs mais fervorosos pegavam para cristo os discos ‘
Load’ (1996) e ‘Reload’ (1997). Hoje já vejo uma grande parcela confessar que há coisas legais em ‘Load’, outros assumiram completamente que o mesmo é um grande álbum, ok. Eu vou um pouco mais além: será mesmo se ‘Reload’ é totalmente de se jogar fora? “Fuel” não é uma música que carrega o selo de qualidade? Será mesmo que entendemos a proposta de “The Memory Remains”?

‘Hardwired... To Self Destruct’ também não foi poupado de críticas. Particularmente acho que eles tentaram seguir a linha de ‘Death Magnetic’, apresentando um pouco da pegada que há em seu antecessor, que é um breve resumo da carreira, principalmente do início dos anos 1990. E, esqueça, Lars a cada dia que passa demostra que nunca mais será o mesmo baterista de antigamente, parece ser intencional sua forma de tocar. O que me espantou um pouco foi a “preguicinha” do guitarrista Kirk Hammett, mas enfim, nada que elimine a ideia de um álbum bem projetado, e mais uma vez, eles estão respeitando a época. 

Nas palavras de um fã: sim, eu queria um Metallica com uma bateria mais agressiva, que capitasse a ambiência de estúdio, aquela bateria com eco, gostaria de guitarras rápidas e solos que beirasse o velho trhash metal da bay-area, que a voz de James Hetifield soasse um pouco mais “suja”, mais intensa. Porém, eu não tenho mais esse direito, seria de um egoísmo desnecessário de minha parte esperar que uma banda retroceda de forma drástica. Mesmo não sendo um fã assíduo, eu entendo a importância que eles têm em um contexto geral. A verdade é que eles conseguem movimentar um mercado quase apagado, ainda é a banda que mais lota estádios. Querendo ou não, ainda é um dos raros grupo que faz um serviço em prol do Metal. Há muito tempo estou conformado, estou feliz com os três primeiros clássicos. Eu sei que pode soar estranho um ouvinte de apenas três álbuns advogar uma carreira completa, o fato é que precisamos ser justos, a imparcialidade deve prevalecer.